Comida ou combustível, eis a questão
Foi em março de 2007. Há pouco mais de um ano, Fidel Castro escrevia em uma de suas tantas reflexões - todas publicadas pelo diário oficial Granma - que utilizar alimentos para produzir combustível poderia desencadear uma grave crise humanitária. Na ocasião, o presidente americano, George W. Bush, acabara de visitar o Brasil, onde tratou com Lula sobre a produção de etanol.
Lembro-me de que, naquela época, acusaram Fidel de alarmista. Disseram que seu texto seria apenas mais um delírio de um velho comandante afastado do poder.
Passados 12 meses, dá para dizer que o quadro mudou radicalmente.
No mercado mundial, os preços dos alimentos explodem.
Em países pobres, a população sai às ruas e dá uma clara resposta a essa inflação.
As nações ricas, por sua vez, decidem se voltar contra o etanol - pelos mais variados (e nem sempre nobres) motivos.
O FMI compra a briga e ataca os países que desmatam florestas e substituem culturas por aquelas das quais podem ser fabricados o etanol e os biocombustíveis, como a soja, a cana e o milho.
A ONU ensaia uma resposta, criticando o subsídio dado pelas nações ricas a seus agricultores.
E o circo se arma.
Quando, há um ano, era Fidel Castro quem mandava o recado, o mundo não dava ouvidos. Mas e agora?
Afinal, a produção de etanol e biocombustíveis em larga escala pode mesmo potencializar a fome mundial? A tribuna está aberta! E a foto do cabeçalho é obviamente inspirada no assunto.
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Tá muito bom o texto. A imagem do cabeçalho também…alcool neles.