Os dilemas de um mundo carnívoro
Durante a leitura de uma reportagem sobre a nova escalada da inflação mundial, publicada pela revista Exame em seu site, fiquei intrigado com uma informação perdida no meio do texto.
Ao falar do descompasso hoje existente entre a oferta e a demanda por alimentos, e do peso que isso exerce sobre o aumento de preços que tomou conta do mercado internacional, a reportagem chama a atenção para a explosão do consumo de carne nos países em desenvolvimento.
Abaixo, transcrevo o trecho:
No caso da comida, desde 1970 a produção de grãos dobrou no planeta e o mesmo aconteceu com a população global. Mas, à medida que prosperam, os chineses e os indianos - e também os brasileiros - consomem menos vegetais e passam a comer mais carne. Essa mudança estrutural de hábitos gera um enorme impacto sobre os recursos naturais. De acordo com a ONU, enquanto são necessários 2.000 litros de água para produzir 1 quilo de trigo, para 1 quilo de carne bovina são gastos 13.000 litros de água. Nesse ambiente de estoques cada vez mais apertados, a mudança climática, que na última década vem castigando com severas secas a Austrália, um dos maiores produtores mundiais de alimentos, pressiona ainda mais as cotações.”
Pode ser a materialização de um argumento - o econômico - largamente citado por adeptos do vegetarianismo para defender a popularização de uma dieta que não inclua carnes ou produtos de origem animal. Trata-se de um raciocínio bem mais forte, coerente e convincente que as motivações morais e religiosas, e figura entre as idéias listadas pelo filósofo Peter Singer em seu Libertação Animal.
Ou seja, se o homem não quiser abrir mão de seu churrasco em nome de ideais, de uma vida saudável, de compaixão para com os animais ou mesmo de valores religiosos, terá de fazê-lo por seu próprio bem-estar. Ou, em uma visão absolutamente catastrófica e fatalista, daquelas que remetem a um longínquo futuro, por sua própria sobrevivência.
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não apenas isso, há outros fatores ambientais como gases do efeito estufa [metano] e desmatamento para pantio de pastagem [caso nosso da pecuária extensiva], a indústria da carne destrói, mas o mercado não faz essa conta, ele apenas contabiliza lucros, uma mudança cultural soluciona, boicote isolado não, sabotagem talvez [mas sem queimar pastagens].
Como eu te disse.. nessa seleção natural, vence o mais rico… ai, esse darwin.. tão burrinho.
Aí é que você se engana, Ana. Afinal, o mais rico pode ser a versão contemporânea do mais forte, concorda? E, no fim das contas, considerando a sua visão, podemos dizer que continua a valer a tal lei da selva.