A bola está com os americanos
A Comissão Européia, braço executivo da União Européia (UE), aprovou hoje uma proposta de reforma da política agrícola comum a seus 27 membros. Diz-se que a medida tem como objetivo combater os altos preços dos alimentos e o crescimento da inflação dentro do bloco.
Com isso, os agricultores europeus perderão os subsídios que recebem há anos de seus respectivos governos, o que contribuía para tornar seus produtos mais competitivos.
O grande destaque do pacote fica, é claro, com o fim do subsídio ao etanol, praticado desde 2003. Neste período, cada produtor europeu recebeu, por hectare plantado, uma ajuda de 45 euros. Com todos os produtores que estavam sob sua tutela, a União Européia gastou 90 milhões de euros apenas com subsídios. Agora, o natural é que essa dinheirama toda migre para o desenvolvimento de tecnologias para a segunda geração do etanol - chamado celulósico, gerado a partir de qualquer matéria vegetal, como a grama, e que causa menor impacto ambiental.
Para que entre em vigor, porém, a reforma precisa ser ratificada por cada um dos países que formam o bloco, e pelo menos França e Alemanha já declararam serem contrários a mudanças que afetem a competitividade de seus produtos.
Para o Brasil, um agricultor europeu sem subsídios se transformaria em um concorrente muito mais fácil de ser batido, mas a UE já mandou o aviso: lá não entra etanol produzido ao custo de mão-de-obra escrava e desmatamento de florestas.
Mas o mais importante de tudo isso é o recado mandado aos Estados Unidos, pois lá os agricultores recebem gordos subsídios para produzir seu etanol de milho, o que causa o aumento do preço do cereal e prejudica países onde há uma dieta que dele depende, como o México e os centro-americanos.
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Sem falar, querido, que a quantidade de energia utilizada para produzir o etanol de milho, é praticamente igual à gerada.
Essa discussão foi propositalmente (politicamente) focada no etanol como sendo o grande vilão, sendo que a questão da crise dos alimentos é causada por outros fatores, principalmente a falta de estoque e os subsídios abusivos. Ouvir Robert Zoellick dizendo que ela só será solucionada em 10 anos é dose…
Até o Ban-Ki Moon relacionou a crise aos biocombustíveis, incluindo o etanol brasileiro.